Representantes do setor empresarial e parlamentares da oposição iniciaram uma forte mobilização no Senado Federal para alterar ou retardar a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que altera a escala de trabalho 6×1. O objetivo do grupo é travar o calendário idealizado pelo Palácio do Planalto, que pretendia promulgar a medida em meados de setembro, antes das eleições. Utilizando as flexibilidades do regimento interno do Senado — que exige a passagem do texto apenas pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e pelo plenário —, a oposição planeja apresentar emendas em plenário, manobra que obrigaria a proposta a retornar para a CCJ por mais 30 dias, empurrando as votações cruciais para agosto e forçando uma nova análise na Câmara dos Deputados.
Em paralelo à articulação política, uma comitiva de 25 empresários e dirigentes de entidades, incluindo representantes da Fiesp, reuniu-se com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para cobrar debates técnicos e audiências públicas mais aprofundadas. O setor produtivo alega que a matéria foi aprovada na Câmara sob um “rolo compressor”, sem estudos de impacto econômico viáveis e com caráter puramente eleitoral. Alcolumbre, por sua vez, sinalizou a aliados que pretende manter um rito normal e equilibrado para a tramitação, sem o atropelo visto na Câmara, mas sem travar a pauta a ponto de inviabilizar sua votação ainda neste ano, reconhecendo o forte apelo popular do tema junto aos parlamentares.

