O jumento nordestino, símbolo histórico do sertão e da resistência no semiárido, enfrenta um cenário de forte redução populacional no Brasil. Dados da organização The Donkey Sanctuary apontam que o número de animais caiu de 1,37 milhão em 1999 para apenas 78 mil em 2025. No Ceará, a redução ultrapassa 72%, passando de 193 mil cabeças em 1995 para pouco mais de 53 mil em 2017. O principal motivo é o comércio voltado para exportação de pele e colágeno usados na fabricação do ejiao, produto da medicina tradicional chinesa.
Apesar do alto valor agregado no mercado asiático, especialistas afirmam que a atividade não representa uma cadeia econômica sustentável para o agronegócio brasileiro. Enquanto um jumento pode ser comprado informalmente no Ceará por valores entre R$ 1 e R$ 10, produtos derivados da pele chegam a custar cerca de R$ 1.500 na China. Segundo pesquisadores, a reprodução lenta da espécie impede a criação em larga escala e torna inviável manter a demanda internacional sem comprometer a sobrevivência dos animais.
Além do risco de extinção, entidades alertam para problemas sanitários e maus-tratos durante transporte e abate. Atualmente, o Senado analisa uma proposta que prevê a proibição do abate de jumentos em todo o país. No Ceará, um projeto semelhante tramita na Assembleia Legislativa. Especialistas defendem ações de preservação e valorização do animal, destacando seu papel histórico, cultural e até terapêutico no Nordeste.

