Um forte desabafo publicado nas redes sociais trouxe à tona uma discussão que vem ganhando força a cada ano no período junino: a descaracterização e a “sertanezação” do São João no Nordeste. Em vídeo veiculado na internet, Raquel Andrade critica duramente a substituição das manifestações genuínas, como as orquestras de pífio, o xaxado, o baião e o tradicional forró pé de serra, por atrações que acumulam milhões de seguidores no ambiente digital, mas que não carregam a identidade histórica da festa regional.
A defensora da cultura regional lamentou episódios recentes em que ícones da música nordestina, a exemplo de Flávio José e de Santana, O Cantador, tiveram seus tempos de apresentação reduzidos ou foram remanejados dos palcos principais para dar lugar a mega produções de outros gêneros musicais. Segundo ela, enquanto novos artistas com forte apelo comercial recebem cachês milionários, os verdadeiros mestres da cultura popular e os pequenos sanfoneiros enfrentam falta de estrutura, ausência de público e descaso por parte das grandes produções.
Ao final do manifesto, Raquel Andrade fez um apelo direcionado a novas vozes do cenário atual, como o cantor João Gomes, pedindo que ajudem a salvar a essência da festividade. Ela também prestou uma homenagem e agradeceu a resiliência de nomes consolidados como Dorgival Dantas e as próprias velhas guardas do forró, afirmando que são esses profissionais que, de forma quase heróica, estão “segurando a herança cultural no dente” para não deixar a tradição nordestina morrer.

