A Polícia Federal aponta Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, como possível beneficiário indireto de articulações conduzidas pela lobista Roberta Luchsinger com empresários interessados em contratos com o Governo Federal. As informações constam em relatório da PF, baseado em mensagens encontradas no celular da lobista e reveladas nesta semana. Segundo os investigadores, Lulinha era citado como uma referência nas decisões relacionadas aos projetos, enquanto Roberta atuaria nas negociações em nome de terceiros. O relatório, porém, não aponta que Lulinha e Roberta tenham efetivamente fechado negócios com o governo.
Um dos casos investigados envolve uma tentativa de levar o Ministério da Saúde a adquirir produtos à base de canabidiol. Segundo a investigação, Roberta teria articulado uma reunião com integrantes da pasta, com participação indireta de pessoas próximas ao governo. As mensagens também apontam que Roberta, Lulinha e Fernando Kalil, sócio do filho do presidente Lula, mantinham um grupo de WhatsApp chamado “Musaranhos”, utilizado para tratar de negócios. Em outro episódio, a PF identificou conversas sobre possíveis negociações envolvendo a Telebras, nas quais o nome de Lulinha teria sido utilizado para tentar facilitar negócios.
A investigação tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) e envolve três inquéritos relacionados a Lulinha. O Ministério Público Federal, no entanto, pediu que o caso seja enviado para outra instância, argumentando que não há autoridade com foro privilegiado sob investigação. A defesa de Lulinha nega irregularidades e afirma que ele é investigado há anos sem que tenham sido encontrados elementos que o desabonem. Os advogados também criticam o vazamento de informações sigilosas da investigação.

