Os candidatos ao Governo do Ceará apresentam projetos bastante diferentes para o Estado no período de 2027 a 2030. Neste levantamento, foram analisados os planos de governo disponibilizados, com destaque para três propostas consideradas centrais em cada documento. O levantamento contempla Ciro Gomes (PSDB), Elmano de Freitas (PT), Huggo Leonardo (Missão), Danilo Soares (Democrata), Serley Leal (UP), Zé Batista (PSTU) e Ieri Braga (PCO). A disputa estadual tem oito candidaturas registradas, mas o plano de Vera Lúcia (Novo) não está entre os documentos analisados nesta matéria.

Elmano de Freitas (PT) apresenta um plano baseado na continuidade e ampliação de políticas públicas já existentes. Entre os principais pontos estão o fortalecimento da segurança pública, com integração entre prevenção da violência, inteligência policial e políticas de cidadania; o desenvolvimento econômico sustentável, envolvendo agricultura, indústria, serviços, empreendedorismo e inclusão produtiva; e a ampliação do acesso à saúde e à educação, com modernização das escolas, expansão da educação profissional, ciência, tecnologia e assistência estudantil. O documento também prevê investimentos em mobilidade, saneamento, infraestrutura, transição energética e redução das desigualdades regionais.

Ciro Gomes (PSDB) organiza o programa em seis eixos estratégicos. Três dos principais destaques são a reorganização da saúde pública, com regionalização do SUS, integração entre atenção básica, policlínicas e hospitais regionais, além de redução das filas por meio de tecnologia e gestão; a educação integrada à formação profissional, ciência e inovação, com fortalecimento das universidades, ensino médio técnico e uso de inteligência artificial e dados; e a retomada da segurança pública, com recuperação da autoridade do Estado e combate ao crime organizado. O programa também dedica um eixo específico à gestão fiscal, defendendo equilíbrio das contas públicas, aumento da capacidade de investimento e modernização administrativa.
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Huggo Leonardo (Missão) estrutura sua proposta em compromissos, em vez de separar o programa por secretarias. Os três primeiros são “Ceará Seguro”, com mudanças no modelo de segurança, integração das estruturas policiais, Polícia Penal e ações contra organizações criminosas; “Periferia com Estado”, que combina segurança, saneamento, habitação, saúde e infraestrutura urbana, incluindo regularização fundiária e ligações de esgoto; e “Interior que produz”, voltado à industrialização do setor agropecuário, segurança hídrica rural, educação e geração de oportunidades. O plano ainda prevê uma proposta específica de educação, com recomposição da aprendizagem, saúde mental nas escolas e formação voltada à vida e ao trabalho.
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Danilo Soares (Democrata) coloca a interiorização das políticas públicas como eixo central. O plano é dividido em quatro grandes áreas — saúde, desenvolvimento, educação e segurança — todas com a preocupação de reduzir a concentração de serviços e investimentos na Região Metropolitana de Fortaleza. Na saúde, entre as principais propostas estão a criação de mecanismos para fixação de especialistas no interior, uma fila única e transparente para consultas, exames e cirurgias e o fortalecimento da atenção primária e do Telessaúde. Na educação e no desenvolvimento, o programa também defende expansão da formação técnica, geração de empregos e distribuição territorial das oportunidades.

Serley Leal (Unidade Popular) apresenta um programa de caráter mais voltado à transformação social e à ampliação dos serviços públicos. Entre os principais pontos aparecem a ampliação da moradia popular, utilizando terrenos e imóveis públicos para reduzir o déficit habitacional e combater a gentrificação; o fortalecimento da saúde pública, com crítica à privatização e defesa de maior investimento na atenção básica e na rede estadual; e a ampliação de políticas de transporte e mobilidade, incluindo o programa Bicicleta Popular e propostas de transporte com maior participação pública. O documento também apresenta propostas específicas para educação, igualdade racial, povos indígenas e quilombolas, população LGBTQIA+, pessoas com deficiência e esporte.

Zé Batista (PSTU) apresenta um programa de caráter socialista, com foco na classe trabalhadora. As três propostas centrais são o combate ao desemprego, à fome e à precarização do trabalho, incluindo fim da escala 6×1, jornada de 36 horas semanais sem redução salarial, aumento dos salários e plano de obras públicas; a ampliação e defesa da educação pública, com mais recursos, gestão democrática, livre ingresso nas universidades e valorização dos profissionais; e uma saúde pública gratuita e sob controle dos trabalhadores, com aumento dos investimentos, construção de hospitais e postos de saúde, ampliação da formação de profissionais e piso salarial para trabalhadores da área. O programa também defende mudanças profundas na estrutura econômica e coloca o controle dos setores estratégicos nas mãos dos trabalhadores.

Ieri Braga (PCO) apresenta um programa diferente dos demais, definido pelo próprio partido como um “programa de luta”, e não como um conjunto convencional de promessas administrativas. Entre seus principais pontos estão a reposição e proteção dos salários dos trabalhadores, o direito ao trabalho e à terra, com defesa de mudanças estruturais na economia, e a ampliação dos serviços públicos, incluindo educação e saúde. O documento coloca como objetivo central a defesa da Revolução, do Governo Operário e do Comunismo, afirmando que as principais conquistas sociais não seriam alcançadas apenas pelo processo eleitoral, mas pela organização e mobilização dos trabalhadores.
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Por fim, a candidata Vera Lúcia (Novo) não foi incluída neste levantamento porque, entre os materiais disponibilizados para a análise, não havia um plano de governo da candidata. Por esse motivo, não seria possível apontar três propostas com base documental, mantendo o mesmo critério utilizado para os demais candidatos.
De forma geral, os planos mostram visões bastante distintas para o futuro do Ceará. Enquanto Elmano de Freitas e Ciro Gomes apostam principalmente no fortalecimento e na ampliação de políticas públicas, com foco em saúde, educação, segurança e desenvolvimento econômico, Huggo Leonardo concentra sua proposta na retomada da presença do Estado, no combate à criminalidade e na interiorização das oportunidades. Danilo Soares também coloca a redução das desigualdades entre capital e interior como principal eixo. Já os programas de Serley Leal, Zé Batista e Ieri Braga apresentam propostas de mudanças mais estruturais, com maior intervenção do Estado, defesa dos trabalhadores e ampliação dos serviços públicos. Assim, os documentos revelam projetos políticos diferentes em áreas essenciais como segurança, saúde, educação, emprego, infraestrutura e distribuição de renda, cabendo ao eleitor conhecer as propostas e avaliar quais caminhos considera mais adequados para o Ceará nos próximos quatro anos.

