A história de Maria Imaculada Conceição, que completou 69 anos nesta quinta-feira 5, é um raro retrato de luta pela própria existência. Sem conhecer pais, origem ou sequer a data real de nascimento, ela viveu décadas sem qualquer registro civil. Criada por uma família na Praia de Iracema, relata que nunca foi tratada como filha e que cresceu sem escola, documentos ou direitos básicos. Durante anos, sua ausência formal impediu até mesmo que fosse atendida em um hospital. A virada começou quando a vizinha e amiga Cláudia decidiu procurar a Defensoria Pública do Ceará para garantir o registro que Maria nunca teve.
Em 12 de agosto deste ano, depois de quase sete décadas, ela recebeu sua primeira certidão de nascimento e pôde, enfim, existir oficialmente para o Estado. Escolheu o nome Maria Imaculada Conceição em homenagem à santa por quem diz ter sido amparada durante toda a vida. Agora, ela faz planos simples e fundamentais: estudar, conseguir a gratuidade no transporte e lutar pela aposentadoria, com a esperança de viver dias mais tranquilos. Amigos também se mobilizaram para manter a moradia dela até que encontre nova fonte de renda.
Na casa de Cláudia, haverá bolo, vela e comemoração como manda a tradição. É a primeira vez que Maria pode celebrar o próprio aniversário sabendo que seu nome, sua história e sua identidade finalmente existem no papel. Entre emoção e alívio, ela resume o novo capítulo: “A minha vida mudou demais. Agora vai dar tudo certo pra mim”.

