Pacientes entre 16 e 30 meses de idade atendidos pelo SUS passarão, a partir deste ano, por um teste de triagem para identificar sinais de autismo e outros transtornos do desenvolvimento. A medida faz parte da nova linha de cuidado publicada pelo Ministério da Saúde em setembro. O questionário “M-Chat”, já usado em alguns serviços para avaliar atrasos no desenvolvimento, passará a ser aplicado de forma rotineira por profissionais da atenção primária, como equipes de saúde da família. A proposta é identificar precocemente alterações nos marcos de desenvolvimento e encaminhar as crianças para estimulação antes mesmo de um diagnóstico fechado.
Em Fortaleza, cerca de 559 equipes de saúde da família já estão sendo capacitadas para aplicar o teste. Segundo Erlemus Soares, coordenador da Atenção Primária e Psicossocial do município, a triagem permite definir se a criança pode seguir acompanhada na unidade básica ou se precisa de avaliação especializada, como no Centro de Diagnóstico Espaço Girassol, inaugurado em agosto no bairro Edson Queiroz. Caso permaneça na atenção primária, o acompanhamento será reforçado nos Núcleos de Desenvolvimento Infantil.
A Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) também atua no apoio técnico aos municípios e na capacitação dos profissionais, com foco nos enfermeiros que realizam a puericultura. De acordo com a coordenadora Thais Facó, o rastreio é essencial para estimular precocemente as crianças e orientar as famílias. “Temos uma população de crianças autistas aumentando cada vez mais. Precisamos nos preparar não só para o diagnóstico precoce, mas também para garantir uma abordagem terapêutica ao longo da vida”, destacou.

