Dados recentes acendem alerta sobre o impacto do uso excessivo de telas no desenvolvimento infantil. Estudos indicam que crianças com alta exposição a celulares, tablets e televisores têm até 2,6 vezes mais chances de apresentar atrasos na fala e na linguagem. No Brasil, levantamento do Instituto Datafolha, encomendado pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, aponta que 94% das crianças de 4 a 6 anos usam telas diariamente, assim como 78% das que têm até 3 anos, índices acima do recomendado por entidades médicas.
Além da linguagem, especialistas observam reflexos no comportamento e nas emoções. Pesquisas indicam aumento de ansiedade, irritabilidade e dificuldade de autorregulação em parte das crianças com uso prolongado de dispositivos. Testes internacionais também apontam que crianças de 2 anos expostas a cinco horas diárias de tela apresentam vocabulário menor quando comparadas às que têm uso mais moderado.
Profissionais da área reforçam que o desenvolvimento da fala e das habilidades socioemocionais depende de interação humana, diálogo e brincadeiras. Pais e cuidadores devem observar sinais como pouca produção de palavras após 1 ano e meio, dificuldade para formar frases simples após os 2 anos e meio, desinteresse social e reações intensas a frustrações. Nesses casos, a orientação é buscar avaliação especializada para identificar a necessidade de acompanhamento.

