A captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos provocou reações opostas no cenário internacional e entre a população da Venezuela. Enquanto líderes políticos discutem a legalidade e os impactos diplomáticos da ação, imagens divulgadas nas redes sociais mostram venezuelanos comemorando o episódio em diversas cidades do país.
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, condenou a atuação dos Estados Unidos, classificando o episódio como uma “afronta gravíssima à soberania” da Venezuela. Em nota publicada nas redes sociais, Lula afirmou que a ação “ultrapassa uma linha inaceitável” e abre um “precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”. O chefe do Executivo brasileiro destacou ainda que o Brasil defende a resolução de conflitos por meio do diálogo e da cooperação entre as nações.
Em sentido oposto, vídeos que circulam amplamente nas redes sociais mostram parte da população venezuelana celebrando a captura de Maduro, tanto nas ruas quanto em residências. As manifestações refletem o descontentamento de setores da sociedade com o governo que esteve no poder por mais de uma década.
Nicolás Maduro governava a Venezuela havia 12 anos e exercia seu terceiro mandato, conquistado em eleições contestadas por observadores nacionais e internacionais. Ao longo de mais de 11 anos, o presidente foi acusado de manter um governo autoritário, com perseguição a opositores, centralização do poder e repressão a protestos populares, especialmente entre os anos de 2014 e 2019.
O governo de Maduro também foi marcado por crises políticas e institucionais, além de tensões externas, como a tentativa de anexação de parte do território da Guiana. No último processo eleitoral, no qual buscava permanecer no poder até 2031, o pleito foi cercado de polêmicas e declarações controversas. Em julho, Maduro chegou a afirmar que poderia haver “banho de sangue” e “guerra civil” caso não vencesse as eleições.

