O Instituto de Gestão e Cidadania (IGC Brasil) criou o projeto Acolhe +, que contrata e capacita pessoas com 60 anos ou mais para atuar na recepção e orientação de pacientes em unidades de saúde. A iniciativa já funciona na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Horizonte, na Região Metropolitana de Fortaleza, e será ampliada para as demais unidades administradas pelo instituto no Ceará e em Sergipe. A proposta busca valorizar a experiência dos profissionais mais velhos e tornar o atendimento mais humanizado para quem procura os serviços de saúde.
Na UPA de Horizonte, duas profissionais atuam no acolhimento: Rita Cássia, de 64 anos, no período da manhã, e Ana Célia, à tarde. Elas recebem os pacientes, explicam o funcionamento da unidade e orientam sobre os procedimentos até o atendimento. Rita conta que a oportunidade chegou em um momento em que acreditava que não voltaria ao mercado de trabalho. “Pensei que não ia mais trabalhar e o projeto veio para agregar à minha vida, o melhor momento da minha vida. Eu achava que não ia mais ter condições de trabalhar”, relatou. Ela resume a função dizendo: “A gente está ali para acolher, para ajudar”.
Os primeiros resultados apontam aprovação de 94% dos pacientes consultados, que avaliaram positivamente a recepção, as orientações e a presença de alguém disponível para ajudar na chegada à unidade. Segundo o IGC Brasil, os colaboradores também relatam maior organização do fluxo de atendimento. A presidente do instituto, Ticiana Mota, afirma que o projeto será expandido para as nove unidades administradas pela organização. A próxima etapa prevê a implantação nas UPAs de Pacatuba e Maracanaú. A iniciativa também se relaciona a um cenário de crescimento da participação dos idosos no mercado de trabalho brasileiro: em dez anos, o número de trabalhadores com 60 anos ou mais passou de 5,7 milhões para quase 8,8 milhões, embora cerca de 53% ainda estejam na informalidade, conforme levantamento da Nexus baseado na PNAD Contínua, do IBGE.



