Um estudo apresentado no Congresso de Oncologia de Berlim e publicado na revista Nature revelou que vacinas de mRNA contra a Covid-19, como as da Pfizer e Moderna, podem aumentar a eficácia de imunoterapias contra o câncer. Pesquisadores do MD Anderson Cancer Center e da Universidade da Flórida descobriram que o imunizante provoca uma forte resposta imune do tipo interferon, que ajuda o organismo a reconhecer e atacar células tumorais resistentes.
A análise de mais de 880 pacientes mostrou que quem recebeu a vacina até 100 dias antes ou depois do início da imunoterapia teve ganhos significativos de sobrevida. Em casos de câncer de pulmão avançado, a mediana subiu de 20,6 para 37,3 meses, e a taxa de sobrevivência em três anos passou de 30,8% para 55,7%. O mesmo efeito foi observado em pacientes com melanoma metastático, com redução de quase 60% no risco de morte.
Segundo o oncologista Stephen Stefani, o estudo mostra que a vacina de mRNA pode “reprogramar” o sistema imunológico, tornando o tumor mais visível às defesas do corpo e, consequentemente, mais vulnerável à imunoterapia. Ele afirma que a descoberta abre caminho para novas estratégias de tratamento, em que vacinas de mRNA possam ser usadas para potencializar respostas contra diferentes tipos de câncer.

