O Brasil vive neste domingo (25) uma situação extraordinária e lamentável. Desde a adoção das urnas eletrônicas, iniciada em 1996, não havia registro de uma prorrogação nacional da votação anunciada após o horário de encerramento.
Após pedidos das campanhas de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), o ministro Cristiano Zanin, do STF, determinou a extensão da votação até as 19h.
O problema não está necessariamente na prorrogação, mas na maneira como a situação foi conduzida.
A decisão foi anunciada após as 17h, quando urnas já estavam encerradas e os primeiros resultados circulavam na imprensa e na internet.
Sob a presidência de Kassio Nunes Marques, o TSE precisou administrar uma situação que exigia planejamento e comunicação imediata. Entretanto, somente às 17h49 foram encaminhadas orientações para manter abertas até as 19h apenas as seções que ainda funcionavam.
Na prática, enquanto algumas seções puderam continuar recebendo eleitores, outras já haviam encerrado definitivamente suas atividades.
Como garantir igualdade de condições quando alguns eleitores tiveram mais tempo para votar, enquanto outros encontraram suas seções fechadas?
A situação é ainda mais preocupante em localidades com dificuldades de comunicação, onde determinações dessa natureza podem não chegar imediatamente.
Não se trata de defender candidatos ou questionar, sem provas, a legitimidade do resultado, mas de cobrar responsabilidade, organização e transparência.
Uma eleição presidencial não pode depender de decisões dessa importância anunciadas depois do horário que deveriam modificar.
O episódio exige esclarecimentos sobre quantas seções já estavam encerradas e se houve eleitores prejudicados.
Independentemente de quem vença, a democracia exige igualdade, previsibilidade e respeito ao voto.
A decisão pode ter buscado garantir direitos, mas sua condução deixou muito a desejar.
✍🏻 Almir Júnior Severo
