A Justiça de São Paulo determinou que a Prefeitura de Urupês, no interior do estado, suspenda as aplicações de tirzepatida manipulada em pacientes com obesidade atendidos pela rede pública de saúde. A decisão é provisória e foi concedida em primeira instância após uma ação movida pela farmacêutica Eli Lilly, fabricante do Mounjaro. A administração municipal recorreu, mas teve o pedido de suspensão da decisão negado e informou que pretende apresentar um novo recurso.
O programa, lançado em fevereiro, ficou conhecido nas redes sociais como “Bolsa Mounjaro” e foi criado pela própria prefeitura, sem ligação com as propostas do Governo Federal para distribuir medicamentos emagrecedores pelo SUS. Urupês foi a primeira cidade paulista a oferecer tirzepatida na rede pública para tratar a obesidade, inicialmente com previsão de atender 200 pessoas, número posteriormente ampliado para 400. Apesar do nome popular, os pacientes não recebiam o Mounjaro original, comercializado em canetas pela Eli Lilly, mas aplicações de tirzepatida produzida por farmácia de manipulação. A escolha foi justificada pelo custo: os frascos custavam cerca de R$ 900, enquanto a caneta da mesma dose chegava a R$ 1,5 mil.
Levantamento realizado pelo g1 no Portal da Transparência do município aponta que a prefeitura gastou R$ 306 mil na compra dos frascos, utilizando recursos de uma emenda parlamentar do deputado federal Francisco Everardo Oliveira Silva, conhecido como Tiririca. A administração municipal afirmou que a decisão envolve uma discussão sobre o mercado de medicamentos, mas tem impacto direto no acesso à saúde dos pacientes. Já a Eli Lilly declarou que considera a decisão importante para proteger a segurança dos pacientes e o cumprimento das normas sanitárias brasileiras relacionadas à manipulação de medicamentos. A Justiça também apontou que a prefeitura pode adquirir o medicamento diretamente da fabricante.
