Quem passa pelas estradas de terra do povoado de Provisório logo se depara com uma cerca viva que chama atenção pelo acabamento. Feita inteiramente de quiabento (Pereskia bahiensis), a estrutura ultrapassa 1,5 metro de altura e se estende por dezenas de metros, apresentando um alinhamento tão preciso que, à primeira vista, lembra um muro de alvenaria. O resultado é fruto de um cuidadoso trabalho manual realizado com facão, técnica tradicional utilizada por moradores da região.
Para manter o formato uniforme, a planta recebe podas periódicas que estimulam o entrelaçamento dos galhos e formam uma barreira densa de espinhos. “Olha para isso… está no prumo, no nível, tudo no trinque! Uma cerca dessa aqui, meu amigo, nem o vento passa. Parece uma parede de tijolo feita de puro espinho”, comentou um morador ao observar a estrutura.
Além do aspecto visual, o quiabento oferece vantagens importantes para o semiárido. A espécie é resistente à seca, exige pouca manutenção e substitui materiais como madeira, arame e alvenaria, reduzindo custos para os produtores rurais. A cerca também funciona como proteção contra animais, poeira e ventos, mostrando como o conhecimento tradicional do homem do campo continua transformando os recursos da Caatinga em soluções eficientes e sustentáveis.

