O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, autorizou a divulgação de dados protegidos por sigilo bancário e telefônico e desafiou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a tornar públicos os gastos do cartão corporativo da Presidência. A iniciativa foi formalizada junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no início da campanha eleitoral, e o parlamentar apresentou a medida como uma forma de cobrar transparência do adversário na reta final da disputa pelo Palácio do Planalto.
Na petição encaminhada à Justiça Eleitoral, Flávio também pediu que Lula divulgue as despesas realizadas com o cartão corporativo durante o mandato. O senador argumentou que os gastos são pagos com recursos públicos e, por isso, devem estar sujeitos ao conhecimento da população. Segundo o documento citado pelo portal Metrópoles, uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) apontou que 99,55% das despesas do cartão corporativo da Presidência foram classificadas como sigilosas ou reservadas entre janeiro de 2023 e abril de 2025.
A equipe de Lula solicitou que o TSE atuasse como intermediário na questão. O vice-presidente da Corte, ministro André Mendonça, decidiu que os próprios candidatos podem autorizar a divulgação de seus dados, sem necessidade de autorização prévia da Justiça Eleitoral. Segundo o ministro, os sigilos bancário, fiscal e telefônico protegem os titulares, que podem abrir mão dessa garantia mediante consentimento. A discussão ocorre a dois dias do segundo turno, marcado para domingo (25), e amplia o confronto político entre os candidatos em torno da transparência e do uso de recursos públicos.
