A Justiça de Alagoas intimou uma mulher morta há mais de um ano para prestar depoimento em um processo que investiga as circunstâncias da própria morte. Cláudia Pollyanne Farias de Sant’Anna, de 41 anos, morreu em agosto de 2025, enquanto estava internada em uma clínica de reabilitação em Marechal Deodoro, na região metropolitana de Maceió. O mandado foi expedido em 11 de setembro de 2026 e determinava seu comparecimento a uma audiência no dia 14 de outubro. O caso foi divulgado pelo portal Migalhas.
Segundo as informações da investigação, Cláudia permaneceu cerca de um ano e três meses na clínica, apontada como clandestina. A internação teria ocorrido de forma involuntária e ilegal, sem autorização judicial e sem respaldo técnico adequado. O responsável pelo estabelecimento teria levado a mulher a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e deixado o local. A equipe médica constatou que ela já estava morta, com estimativa de que o óbito havia ocorrido cerca de quatro horas antes. O laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou lesões físicas e intoxicação por medicamentos.
O erro na intimação foi identificado após um oficial de Justiça ir ao endereço informado cinco dias depois da expedição do mandado. Na ocasião, ele registrou que Cláudia não morava naquele local, sem que a informação sobre sua morte fosse mencionada no retorno da diligência. A intimação ocorreu mais de um ano após o falecimento, justamente no processo que busca esclarecer as circunstâncias da morte da mulher. O episódio levantou questionamentos sobre os procedimentos utilizados na expedição e no cumprimento de mandados judiciais.



