O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou nesta segunda-feira (14) o sigilo de documentos que detalham uma rede de pagamentos ligada ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e ao Banco Master. A decisão atende a uma determinação do presidente da Corte, Edson Fachin, mas mantém protegidas informações relacionadas a pessoas com foro por prerrogativa de função.
Entre os documentos liberados estão relatórios produzidos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), com informações sobre transações envolvendo empresas e pessoas próximas a Vorcaro. Um dos relatórios aponta movimentações consideradas atípicas relacionadas à Igreja Batista da Lagoinha, que movimentou cerca de R$ 57 milhões entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025. Também aparecem transferências para pessoas ligadas ao grupo investigado pela Polícia Federal.
Apesar da decisão, parte dos documentos continua sob sigilo. A Polícia Federal havia solicitado acesso a informações sobre pagamentos feitos por Vorcaro a pessoas com foro privilegiado, mas esses dados permanecem protegidos. Também seguem reservados documentos relacionados a dezenas de quebras de sigilo bancário e fiscal, incluindo materiais que podem estar ligados a diligências ainda em andamento.
A decisão ocorre um dia antes da sessão extraordinária do STF marcada para esta terça-feira (15), quando os ministros devem analisar o relatório da Polícia Federal que reúne, entre outros elementos, mensagens trocadas entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. A Corte também deverá avaliar o pedido da Procuradoria-Geral da República para anular o relatório e decidir se existem elementos suficientes para justificar a abertura de uma investigação sobre a relação entre o ministro e o ex-banqueiro.
A sessão será presidida por Fachin e deverá reunir os ministros do Supremo. O julgamento não representa, neste momento, uma análise de responsabilidade de Moraes, mas deverá discutir a validade das provas e a possibilidade de abertura de investigação.

