Minas Gerais voltou a confirmar, nas eleições de 2026, uma das coincidências mais marcantes da política brasileira. Desde 1989, quando o país voltou a escolher diretamente o presidente após a ditadura militar, todos os candidatos eleitos para o Palácio do Planalto também venceram no estado mineiro. Neste domingo (25), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) derrotou Flávio Bolsonaro (PL) em Minas Gerais e no resultado nacional, mantendo uma sequência que já dura dez eleições presidenciais. Com 100% das urnas apuradas no estado, Lula recebeu 6.351.099 votos, correspondentes a 50,43% dos válidos, enquanto Flávio obteve 6.241.786 votos, ou 49,57%. A diferença foi de 109.313 votos.
A tradição começou em 1989, com Fernando Collor, e continuou em todas as eleições seguintes. Confira os candidatos que venceram em Minas Gerais e também no Brasil: 1989: Fernando Collor; 1994 e 1998: Fernando Henrique Cardoso; 2002 e 2006: Lula; 2010 e 2014: Dilma Rousseff; 2018: Jair Bolsonaro; 2022: Lula; 2026: Lula. O histórico atravessa diferentes correntes políticas e mostra que Minas Gerais não favorece permanentemente um único partido ou ideologia. Em 2026, o estado ainda protagonizou uma virada: no primeiro turno, Flávio Bolsonaro havia conquistado 48,24% dos votos válidos, contra 43,33% de Lula. No segundo turno, o petista conseguiu reverter a vantagem e terminou à frente.
Mas por que Minas Gerais acompanha tão frequentemente o resultado nacional? Uma das explicações apontadas por analistas é a diversidade do estado, que reúne características sociais, econômicas e eleitorais presentes em diferentes partes do Brasil. O norte mineiro tem semelhanças com regiões nordestinas; o sul apresenta proximidade econômica e cultural com São Paulo; e o Triângulo Mineiro compartilha características com áreas do Centro-Oeste. Além disso, Minas Gerais possui o segundo maior eleitorado do país, atrás apenas de São Paulo. Essa combinação faz do estado um importante termômetro eleitoral. Embora não exista uma regra que obrigue essa coincidência a continuar, a eleição de 2026 reforça a reputação de Minas Gerais como um dos principais indicadores do resultado presidencial brasileiro.
