O município de Senador Pompeu, no Sertão Central do Ceará, completa 130 anos de emancipação política nesta quinta-feira (3). A história da cidade começou ainda no século XVIII, às margens do rio Codiá, quando Thomé Callado Galvão e Nicolau de Sousa receberam sesmarias na região, em 1723. O povoado, inicialmente conhecido como Humaitá, cresceu até ser desmembrado de Mombaça pela Lei Estadual nº 332, de 3 de setembro de 1896, data que marca a criação do município. Em 1901, Senador Pompeu foi elevado à categoria de cidade. O nome homenageia o senador e padre Tomás Pompeu de Sousa Brasil, uma das figuras ligadas à história política e intelectual do Ceará.
A chegada da ferrovia, em 2 de julho de 1900, foi um dos momentos decisivos para o desenvolvimento de Senador Pompeu. A estação passou a integrar a ligação ferroviária do Ceará e contribuiu para a expansão da economia e da população local. A cidade também esteve diretamente ligada às obras da Barragem do Patu, iniciadas na década de 1920, quando empresas estrangeiras chegaram ao município para trabalhar na construção do reservatório. O conjunto de edificações construído para atender às obras permanece como parte importante da memória local e hoje integra o chamado Sítio Histórico do Patu.
É justamente no Patu que Senador Pompeu guarda um dos capítulos mais dolorosos da história do Ceará. Durante a grande seca de 1932, o local foi transformado em um dos campos de concentração criados para impedir que milhares de sertanejos chegassem a Fortaleza. Estimativas apontam que cerca de 20 mil pessoas passaram pelo campo de Senador Pompeu, instalado aproveitando estruturas que haviam sido construídas para as obras da barragem. A memória dessas vítimas permanece viva por meio da Caminhada da Seca, realizada anualmente no município. Assim, ao completar 130 anos, Senador Pompeu celebra sua trajetória, mas também preserva as marcas de acontecimentos que ajudam a compreender a história do Sertão e do próprio Ceará.

