O preço do leite longa vida subiu 6,13% em Fortaleza no mês de agosto, registrando a maior alta mensal desde janeiro de 2023, segundo dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O aumento ocorre após uma sequência de altas ao longo de 2026: o produto avançou 1,53% em maio, 2,55% em junho e 2,86% em julho. No acumulado do ano até agosto, a alta chegou a 12,21%, enquanto nos últimos 12 meses o aumento alcançou 11,63%.
A elevação está relacionada principalmente ao aumento dos custos de produção, transporte e processamento, além da redução da oferta de matéria-prima. Segundo o setor de laticínios, a alimentação do gado também ficou mais cara, com a silagem de milho passando de R$ 0,30 para R$ 0,70 por quilo, além da alta no preço do farelo de soja. O transporte do leite também pesa nos custos, devido ao combustível e à manutenção dos veículos utilizados na coleta em propriedades rurais. O setor ainda cita fatores climáticos, como os efeitos do El Niño, e o aumento do abate de fêmeas entre as causas da menor oferta.
A pressão também aparece na cesta básica. Em Fortaleza, o custo de seis litros de leite passou de R$ 41,76 em julho para R$ 43,74 em agosto, alta de 4,74%. Entre fevereiro e agosto, o aumento acumulado do produto na cesta chegou a 13,73%. Nos supermercados da capital, levantamento realizado em setembro encontrou leite integral com preços entre R$ 6,39 e R$ 11,49, enquanto versões zero lactose chegaram a R$ 10,99. A indústria, por sua vez, prevê uma possível estabilização dos preços nos próximos meses, conforme oferta e demanda encontrem um novo equilíbrio.

