O período junino sempre foi marcado por canções que ajudaram a construir a identidade cultural do Nordeste. Artistas como Luiz Gonzaga e bandas tradicionais como Mastruz com Leite transformaram o forró em símbolo das festas de São João, com músicas que retratam o sertão, a vida do povo nordestino e as tradições que atravessam gerações.
Nos últimos anos, porém, a presença cada vez maior de músicas virais da internet, além de canções criadas por inteligência artificial, tem provocado debates entre artistas e admiradores do gênero. Recentemente, nomes consagrados do forró como Flávio José e Santanna voltaram a se manifestar sobre o que consideram uma perda de espaço para o forró tradicional nos grandes festejos juninos. Ambos defendem que os eventos mantenham a valorização das raízes culturais nordestinas e preservem a identidade musical que marcou a história do São João.
Um dos episódios que mais repercutiram neste ano aconteceu durante o São João de Campina Grande, um dos maiores do país. A cantora Michele Andrade utilizou em seu show a música “Arraiá do 67”, popularizada nas redes sociais e produzida com auxílio de inteligência artificial. O trecho viralizou rapidamente e gerou uma série de críticas de internautas, que apontaram um suposto afastamento das tradições juninas. Nos comentários, muitos defenderam que o São João continue priorizando o forró e os artistas que ajudaram a construir a identidade cultural nordestina ao longo das últimas décadas.

