O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master, se reuniu com o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em 11 de abril de 2024, para tratar de uma disputa judicial envolvendo empresas do setor sucroalcooleiro. Segundo reportagem da coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, Vorcaro buscava o apoio do ministro em uma tese que poderia beneficiar diretamente ativos mantidos pelo banco. Segundo estimativas da Advocacia-Geral da União (AGU), o conjunto das ações poderia representar impacto de até R$ 145 bilhões.
Na época, o Banco Master mantinha bilhões de reais em créditos relacionados a precatórios de empresas do setor. A controvérsia envolve indenizações cobradas de União por usinas que alegam ter sofrido prejuízos com o controle estatal de preços do açúcar e do álcool nas décadas de 1980 e 1990. Um dos processos de interesse de Vorcaro era o da Destilaria Alcídia S/A. Conforme a reportagem, o encontro foi articulado com auxílio do empresário Francisco Feitosa, conhecido como Chiquinho Feitosa, então cunhado de Gilmar Mendes e contratado por Vorcaro por R$ 500 mil mensais.
Apesar da reunião, Gilmar Mendes posteriormente votou contra a tese defendida pelo Banco Master em processos relacionados ao caso. Em nota, o gabinete do ministro afirmou que a audiência ocorreu no STF, com a presença de advogados do Banco Master, e que Gilmar não tinha conhecimento de tratativas entre Vorcaro e seu então cunhado. O ministro também afirmou ter votado contra o pagamento dos precatórios no processo da Destilaria Alcídia, ficando vencido ao lado de André Mendonça. A informação foi publicada originalmente pela Folha de S.Paulo.
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