A doação de órgãos é um dos atos de solidariedade mais importantes na área da saúde, capaz de transformar a vida de pessoas que aguardam por um transplante. Um único doador pode beneficiar vários pacientes, já que é possível doar órgãos como coração, fígado, rins, pulmões, pâncreas e intestino, além de tecidos como córneas, pele, ossos e tendões. No Brasil, a autorização para a retirada dos órgãos de um doador falecido depende exclusivamente da autorização da família, mesmo que a pessoa tenha manifestado em vida o desejo de ser doadora. Por isso, especialistas reforçam a importância de conversar sobre o assunto com os familiares.
O Brasil possui o maior sistema público de transplantes do mundo, financiado majoritariamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), responsável por cerca de 95% dos procedimentos realizados no país. Em 2025, o país alcançou um recorde histórico de aproximadamente 31 mil transplantes, resultado do fortalecimento da logística nacional, do aumento das equipes de captação e da ampliação do transporte aéreo de órgãos, realizado em parceria com companhias aéreas e a Força Aérea Brasileira (FAB). Apesar desse avanço, a demanda por órgãos continua elevada e milhares de brasileiros permanecem na fila de espera por uma oportunidade de tratamento.
Segundo dados do Registro Brasileiro de Transplantes, da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), o país também registrou o maior número de doadores efetivos de sua história em 2025, com mais de 4,3 mil doadores. Ainda assim, o número é insuficiente para atender toda a demanda. Os rins são os órgãos mais procurados, seguidos por fígado, coração e pulmões. Muitos pacientes aguardam meses ou até anos por um órgão compatível e, infelizmente, parte deles não consegue sobreviver até a chegada do transplante. A principal barreira para aumentar as doações continua sendo a recusa das famílias no momento da autorização.
O processo de distribuição dos órgãos segue critérios rigorosos definidos pelo Sistema Nacional de Transplantes, levando em consideração fatores como compatibilidade sanguínea, características imunológicas, gravidade do paciente e tempo de espera, e não a condição financeira ou a ordem simples de inscrição. Especialistas destacam que informar a família sobre o desejo de ser doador é a atitude mais importante para aumentar o número de transplantes e oferecer uma nova chance de vida para milhares de brasileiros que aguardam na fila.

