Após cerca de cinco meses sem sair de casa, segundo seu próprio relato, e um período de afastamento das publicações no YouTube, o criador de conteúdo Felca voltou à plataforma com um vídeo de mais de uma hora que ultrapassou 5 milhões de visualizações poucas horas após ser publicado à meia-noite. Parte do público esperava que o youtuber apresentasse um posicionamento político diante do cenário nacional, mas encontrou um relato pessoal sobre bullying, fobia social, alcoolismo e pensamentos suicidas. A publicação provocou diferentes reações nas redes sociais: enquanto seguidores demonstraram apoio e elogiaram a coragem de expor experiências íntimas, outros criticaram o fato de o vídeo não trazer a manifestação política que esperavam.
No depoimento, Felca relata que sofreu humilhações e agressões físicas durante a adolescência, experiências que, segundo ele, contribuíram para o desenvolvimento de uma fobia social severa. O youtuber conta que passou a ter crises de ansiedade em situações cotidianas e que recorreu ao álcool para conseguir participar de gravações, entrevistas e compromissos fora de casa. O consumo evoluiu para uma dependência e terminou em um acidente no qual ele quebrou duas costelas após desmaiar. Ele também fala sobre os pensamentos suicidas que teve aos 14 anos e critica a omissão de adultos diante de situações de bullying nas escolas.
Ao longo do vídeo, Felca anuncia o projeto “Sinfel”, uma iniciativa de três meses para enfrentar o isolamento social, aceitar convites e incentivar seguidores com dificuldades semelhantes a sair de casa e compartilhar suas experiências com a hashtag #sinfel. Ele também promete retomar o programa “Sofá do Felca” e realizar palestras gratuitas em escolas públicas para conscientizar crianças e adolescentes sobre o bullying. A repercussão evidencia o contraste entre a expectativa de parte do público por uma manifestação política e a decisão do criador de usar seu retorno à plataforma para abordar a própria história e incentivar outras pessoas a buscar apoio.



