O Paraguai enfrenta uma das maiores crises financeiras e políticas dos últimos anos após a intervenção no Ueno Bank, uma das principais instituições financeiras digitais do país. A medida foi determinada pelo Banco Central paraguaio em 2 de novembro, depois que uma avaliação identificou que o banco apresentava um índice de solvência inferior à metade do mínimo exigido por lei. A instituição, que atendia aproximadamente 2,9 milhões de clientes em um país com cerca de 6,4 milhões de habitantes, teve suas operações suspensas, deixando milhares de pessoas sem acesso às economias, salários e outros recursos depositados. O problema também atingiu dinheiro público: o banco administrava entre US$ 800 milhões e US$ 850 milhões de recursos de instituições estatais.
A crise ganhou dimensão política porque o presidente Santiago Peña manteve vínculos empresariais com o Grupo Vázquez, controlador do Ueno Bank, até março de 2025. A oposição acusa o governo de possível favorecimento à instituição e questiona a fiscalização do banco e a concentração de recursos públicos. As acusações ainda estão sob investigação. O caso provocou a renúncia do presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, e a abertura de um processo de impeachment contra Peña. Nesta sexta-feira (6), o presidente anunciou que pretende exercer seu direito de defesa perante o Senado. A situação sobre sua permanência no cargo continua em disputa política.
Para os clientes, a principal preocupação é recuperar o dinheiro. O sistema paraguaio de proteção aos depósitos prevê cobertura de até 228,3 milhões de guaranis por pessoa, aproximadamente US$ 38 mil, valor que, segundo estimativas, protege integralmente cerca de 97% dos depositantes. O Banco Central também anunciou pagamentos iniciais de até 10 milhões de guaranis por cliente. As investigações incluem suspeitas de irregularidades na concessão de empréstimos e na administração dos recursos da instituição. Ao menos 27 pessoas ligadas ao banco foram formalmente acusadas. Apesar da gravidade do episódio, as autoridades afirmam que, até o momento, não há evidências de que a crise tenha atingido todo o sistema bancário paraguaio.
