O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, afirmou nesta quarta-feira (21) que aceita abrir seus sigilos bancário, fiscal e telefônico, mas condicionou a medida à divulgação de informações de pessoas ligadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Entre as exigências está a quebra do sigilo telefônico de Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula. A declaração foi feita durante um ato de campanha em Guarulhos, na Grande São Paulo, a quatro dias do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25).
Flávio afirmou que a abertura de seus dados deve ser acompanhada de medidas semelhantes envolvendo pessoas próximas ao presidente. O senador também cobrou a divulgação de informações sobre gastos do cartão corporativo da Presidência, despesas relacionadas à primeira-dama Janja da Silva e dados de familiares e empresas ligados ao petista. Ao justificar a exigência envolvendo Marcola, o candidato argumentou que o ex-assessor recebia ligações destinadas a Lula e, por isso, seus registros telefônicos também deveriam ser apresentados. As declarações fazem parte da disputa política entre os dois candidatos na reta final da campanha.
O impasse começou após Lula desafiar Flávio, durante o debate presidencial da TV Band, no domingo (18), a autorizar a divulgação de seus sigilos. Na terça-feira (20), o presidente encaminhou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um pedido autorizando a abertura de seus dados bancários, fiscais e telefônicos, além dos sigilos de familiares, condicionando a medida à reciprocidade do adversário. Nesta quarta-feira, Flávio apresentou sua resposta com novas exigências. A disputa sobre a divulgação das informações passou a integrar o confronto político entre os candidatos antes da votação do segundo turno.



