A TV Globo anunciou, na noite desta quinta-feira (1º), o cancelamento do debate entre os candidatos à Presidência da República, que estava previsto para ser realizado nesta noite. Em comunicado, a emissora afirmou que decisões judiciais tomadas poucas horas antes do programa alteraram as regras previamente acordadas e provocaram insegurança jurídica. Com a decisão, o último debate presidencial do primeiro turno, tradicionalmente realizado pela Globo, não irá ao ar, interrompendo uma tradição de décadas da emissora na cobertura eleitoral.
O cancelamento ocorreu após duas decisões judiciais. A primeira, assinada pela ministra Stella Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), atendeu a um pedido da coligação do candidato Lula (PT) e determinou mudanças nas regras para a ausência de candidatos. A segunda decisão, do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a participação de Renan Santos, candidato do Missão, no debate. A Globo afirmou que havia convidado os candidatos Augusto Cury (Avante), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Lula (PT), seguindo as regras eleitorais e os critérios de representação parlamentar.
Em nota, a emissora manifestou discordância com as decisões judiciais e afirmou que as alterações nas regras, às vésperas da transmissão, representam uma interferência na liberdade de organização dos debates eleitorais. A Globo destacou que seu objetivo é promover o confronto de ideias e oferecer aos eleitores a oportunidade de comparar propostas. Diante do cenário, a emissora decidiu cancelar a transmissão e informou que exibirá, no horário reservado ao debate, um capítulo inédito da novela Quem Ama Cuida.

