O fim da escala 6×1 se tornou mais um ponto de confronto entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pelo segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Nesta quarta-feira (7), Lula desafiou o adversário a declarar apoio à proposta que prevê a redução da jornada de trabalho para cinco dias por semana, com dois dias de descanso e sem redução salarial. Durante uma plenária do PT com parlamentares, o candidato à reeleição afirmou que pretende acompanhar a posição de Flávio sobre a votação da medida e também cobrou que o PL apoie a proposta.
“Eu quero ver como é que o Flávio Bolsonaro vai votar. Eu desafio ele a votar favoravelmente. E desafio ele a pedir para o PL votar favoravelmente”, declarou Lula. O presidente também criticou a alternativa defendida pelo candidato do PL, que propõe dar ao trabalhador maior liberdade para definir sua própria jornada, de acordo com suas necessidades e possibilidades. Para Lula, deixar a definição apenas para negociações entre empregados e empregadores poderia prejudicar os trabalhadores. “Nada de aceitar barganha. É reduzir a jornada de trabalho para cinco dias de trabalho e dois de descanso”, afirmou.
Flávio Bolsonaro reagiu às declarações e voltou a criticar a proposta. Em encontro com integrantes do PP e do União Brasil, o candidato afirmou que a PEC deveria ser analisada somente depois das eleições e comparou a discussão à promessa feita por Lula durante campanhas anteriores sobre facilitar o acesso da população à picanha. “Ele Lula chega com mais uma promessa de picanha que não vai resolver a vida de ninguém”, declarou. Flávio também acusou Lula de utilizar o tema eleitoralmente e afirmou que a proposta, em sua avaliação, prioriza a disputa pelo poder em vez das necessidades dos trabalhadores.
Além da discussão sobre a jornada de trabalho, Flávio apresentou outras propostas durante o encontro com aliados. O candidato defendeu o congelamento das dívidas de pessoas físicas por seis meses e de empresas por um ano, sem reajuste ou cobrança de parcelas durante o período. Também propôs que a Caixa Econômica Federal possa comprar e renegociar dívidas, oferecendo prazos maiores e juros menores. O debate sobre a escala 6×1 ocorre enquanto a proposta avança no Congresso e se consolida como um dos temas trabalhistas de maior destaque na campanha presidencial.

