O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), admitiu ter recebido Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, em São Paulo, em março de 2025. O encontro, revelado por mensagens e áudios extraídos do celular de Vorcaro, teria ocorrido no dia 14 de março, no endereço de um instituto ligado ao ministro. Segundo os registros divulgados, a reunião durou aproximadamente duas horas. A confirmação ganha relevância porque Mendonça é atualmente o relator no STF dos processos relacionados ao caso Banco Master e foi justamente ele quem determinou o aprofundamento da análise de mensagens encontradas no celular de Vorcaro.
De acordo com os registros divulgados, a aproximação entre Vorcaro e Mendonça teria sido articulada durante semanas por pessoas próximas ao banqueiro, entre elas o advogado Ciro Rocha Soares e o deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP). Uma mensagem atribuída a um interlocutor de Vorcaro dizia: “André quer te receber”, indicando que o encontro estava sendo organizado. O material também aponta que Vorcaro teria se deslocado até o local e permanecido por cerca de duas horas. A confirmação de Mendonça, portanto, estabelece que o encontro de fato ocorreu, embora a existência da reunião, por si só, não demonstre que tenha havido qualquer irregularidade ou favorecimento.
O episódio surge em meio à maior crise institucional provocada pelas mensagens encontradas no celular de Vorcaro. Nesta terça-feira (1º), Mendonça retirou o sigilo de documentos que tratam da relação do banqueiro com autoridades, incluindo mensagens direcionadas ao ministro Alexandre de Moraes. O material mostra Vorcaro procurando Moraes para tratar de investigações contra o Banco Master e, dois dias antes de ser preso, perguntando se deveria deixar o Brasil. Mendonça determinou que a Polícia Federal identificasse os destinatários das mensagens e aprofundasse a análise do conteúdo. A PF concluiu que parte das conversas era dirigida a Moraes.
A revelação do encontro entre Mendonça e Vorcaro acrescenta um novo elemento ao debate sobre a relação entre o banqueiro e integrantes do Supremo. Isso ocorre justamente quando Mendonça passou a questionar os contatos de Vorcaro com outros ministros e encaminhou os elementos à Procuradoria-Geral da República. O procurador-geral Paulo Gonet, por sua vez, pediu a anulação do relatório produzido pela PF, argumentando que Mendonça teria determinado uma apuração envolvendo um colega de Corte sem provocação do Ministério Público. A discussão agora envolve não apenas o conteúdo das mensagens, mas também os limites da atuação de um ministro do STF na condução de uma investigação que pode atingir outro integrante da própria Corte.
O caso ainda está em andamento e não há, até o momento, acusação formal de crime contra Mendonça relacionada ao encontro com Vorcaro. O que foi confirmado é a realização da reunião. A natureza da conversa, os assuntos tratados e eventual relação do encontro com as atividades posteriormente desenvolvidas por Mendonça no caso Banco Master são questões que podem ser analisadas a partir dos documentos e demais elementos da investigação. O ministro deverá levar ao plenário do STF a discussão sobre as mensagens e os procedimentos adotados na apuração.

