A política, que deveria ser um espaço de diálogo e construção democrática, tem se transformado em motivo de pressão, intolerância e rompimento de relações.
Vivemos um cenário em que as pessoas são cada vez mais cobradas a declarar suas preferências políticas. Se apoiam o mesmo candidato, são consideradas boas. Se pensam diferente, passam a ser tratadas como adversárias ou inimigas.
O voto é secreto. E essa garantia existe justamente para proteger a liberdade de escolha de cada cidadão. Ninguém é obrigado a revelar seu posicionamento político, muito menos a justificar suas decisões.
O mais preocupante é perceber que até o silêncio passou a incomodar. Não se posicionar publicamente virou motivo de julgamento, como se todos fossem obrigados a escolher um lado e defendê-lo diante da sociedade.
Esse comportamento revela um preocupante adoecimento das relações sociais. Amizades são desfeitas, famílias entram em conflito e pessoas são desrespeitadas simplesmente por pensarem diferente.
A democracia não exige unanimidade. Exige respeito. Defender um candidato é um direito, assim como discordar dele ou preferir não manifestar publicamente sua escolha.
Eleições passam, governos mudam e mandatos terminam. Mas o respeito, o caráter e as relações humanas não deveriam ser sacrificados por disputas políticas.
Afinal, uma sociedade que só respeita quem pensa igual não está exercendo a democracia. Está praticando a intolerância.



