O candidato à Presidência da República Romeu Zema (Novo) defendeu o uso de inteligência artificial para aumentar a produtividade do Poder Judiciário e reduzir, gradualmente, o número de juízes no Brasil. A declaração foi dada em entrevista à GloboNews, no dia 6 de agosto, durante a série de entrevistas com presidenciáveis. Zema afirmou que pretende tornar a máquina pública, nos municípios, estados e União, pelo menos 1% mais eficiente a cada ano, utilizando recursos tecnológicos já empregados no setor privado.
Ao ser questionado sobre uma proposta concreta para reduzir gastos públicos com tecnologia, Zema citou o Judiciário. Segundo ele, parte das atividades atualmente realizadas por magistrados poderia ser auxiliada pela inteligência artificial, aumentando a produtividade. O candidato afirmou que, em vez de manter uma estrutura com cerca de 10 mil juízes, seria possível reduzir o número para 8 mil e posteriormente 6 mil, à medida que a tecnologia permitisse que os profissionais produzissem mais. Zema, porém, não explicou quais funções seriam automatizadas, nem apresentou prazo ou detalhes sobre como a proposta seria implementada.
Os dados oficiais mais recentes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) mostram que o Judiciário brasileiro tinha 19.094 magistrados em 2025, além de 281.252 servidores. O relatório também registrou 40,9 milhões de novos processos naquele ano e 75,5 milhões de processos em tramitação ao final de 2025. A proposta de Zema também enfrentaria limites constitucionais, já que a Constituição garante aos juízes, entre outros direitos, vitaliciedade, inamovibilidade e irredutibilidade de subsídios.

